1Introdução
Uma das decisões mais importantes que uma congregação pode fazer é a de selecionar oficiais. Os oficiais que são escolhidos pela congregação serão os líderes da igreja e estabelecerão a direção do seu ministério. Esta é a razão pela qual é da mais alta importância que cada membro conheça os requisitos bíblicos para eleger os presbíteros e diáconos, e o procedimento para tal seleção.
Se nisto a congregação cometer erros, as consequências serão desastrosas para a vida e serviço da igreja, bem como serão difíceis de serem superados. Assim, o propósito deste material é prover, aos membros da igreja, uma clara apresentação do ensino básico da Escritura e da CI/IPB (Constituição Interna da Igreja Presbiteriana do Brasil) acerca dos procedimentos para eleição de oficiais mas, antes de tudo, homens de Deus.
2Quanto ao Ofício da Diaconia
Acima de tudo, os crentes em Cristo são aqueles que andam nos passos do diácono por excelência, o servo sofredor que “não veio para ser ‘diaconado’, mas para ‘diaconar’ e dar sua vida como resgate por muitos” Mc 10.45. Em suma, diakonos é, comumente, apenas o termo genérico para designar, na verdade, um “servo”.
“Servir como diácono” não se trata apenas do título de uma função ministerial. Consiste em um dos dois ofícios estabelecidos pelo Novo Testamento para a igreja local: Diácono e Presbítero.
Cabe a pergunta: Quão crucial é o serviço diaconal à saúde da igreja? A verdade é que, quando seu papel é bem entendido e eles são utilizados da forma correta, são uma dádiva insubstituível para a igreja de Cristo.
Por outro lado, uma igreja sem um diaconato bíblico pode apresentar sinais de saúde por um momento, mas com o passar do tempo a saúde dela será abalada. Por isso, quando os diáconos se desenvolvem, a congregação toda ganha.
2.1 Como os diáconos têm atuado
I) Igreja primitiva (30 d.C. – 100 d.C.) e patrística (100 d.C. – 313 d.C.)
Os diáconos ocupavam um lugar de honra nos primeiros séculos do cristianismo. Com base no precedente de Atos 6.1-7, os diáconos na igreja primitiva estavam encarregados de, com amor e temor a Deus, apoiar o trabalho dos pastores ao cuidar das preocupações “exteriores” ou “físicas” da vida da igreja.
Na verdade, esse tipo de amor arriscado e dedicado confundiu o mundo romano. Como observou o bispo africano Tertuliano (155-220 d.C.): “Nosso cuidado para com os desamparados e nossa prática de ternura nos destacam aos olhos de muitos de nossos oponentes. ‘Apenas olhem’, eles dizem, ‘vejam como eles se amam!’”
À medida que a igreja procurou administrar a expansão geográfica e que heresias diversas surgiam para ameaçar a fé, desenvolveu-se uma hierarquia formal a fim de simplificar – e centralizar – a autoridade para a tomada de decisões em torno do ofício do bispo. Passam a existir agora três: bispos (supervisores), presbíteros (pastores ou sacerdotes) e diáconos. Com o surgimento desse sistema de “episcopado monárquico” – um bispo para a supervisão de uma área geográfica, o papel primário dos diáconos passou, em essência, de agentes de caridade para secretários do bispo.
Mark Dever escreveu: “O arquidiácono era o diácono principal de determinada localidade e poderia ser descrito como um representante encarregado das questões materiais. […] Mais tarde, abusos deformaram o ofício do diácono, e os diáconos – em especial os arquidiáconos – tornaram-se muito ricos. Que irônico: quem deveria servir aos outros, em vez disso, passou a usar as outras pessoas para servirem a seus desejos!”
II) Idade Média (476 d.C. – 1453 d.C.)
Com o afastamento da obra de caridade, dois desdobramentos ocorridos na Idade Média causaram a deterioração ainda maior do diaconato: primeiro, o ofício foi reduzido a um mero trampolim para o sacerdócio. Segundo, e ainda mais preocupante, a doação como caridade passou a ser considerada um meio de alguém salvar a própria alma e de diminuir o tempo de outra pessoa no purgatório.
III) Reforma: a influência de João Calvino (1517 d.C. – 1648 d.C.)
João Calvino, após o retorno a Genebra em 1541, seu primeiro ato como pastor foi apresentar ao Conselho da cidade um plano detalhado para a ordem e o governo da igreja. Pediam a instalação de diáconos juntamente com pastores, doutores (mestres) e presbíteros.
Os diáconos eram oficiais públicos da igreja a quem eram confiados o cuidado dos pobres. Ele insistia em que fossem qualificados na fé cristã, pois, no decorrer de seu ministério, “eles frequentemente deverão dar conselhos e consolo”. Calvino admitiu que o diaconato poderia servir às vezes de “berçário de onde os presbíteros são escolhidos”; contudo, ele se opôs ao costume romano de fazer do diácono o primeiro passo para o sacerdócio.
IV) Da Reforma ao tempo atual
Desde que Calvino deu nova atenção ao diaconato, mais de cinco séculos atrás, o ofício assumiu várias formas entre os protestantes. Na tradição presbiteriana e reformada, os diáconos sempre atuaram sobretudo como ministros de misericórdia, cuidando dos necessitados e angustiados e muitas vezes ajudando a supervisionar as finanças da igreja.
2.2 Seis conceitos populares sobre os diáconos
Algumas perguntas rondam as igrejas diante dos candidatos ao diaconato:
Pastor em treinamento
“Ouvi que você será diácono! Quanto tempo você acha que vai demorar até ser presbítero?”
O serviço diaconal é muito importante e glorioso, para representar apenas um trampolim para algo mais.
Faz tudo
“Você é bom para consertar as coisas. Você deveria ser diácono”.
Um diácono é muito mais que alguém que conhece bem a loja de materiais de construção. É preciso conhecer bem a Bíblia.
Homem das planilhas
“O orçamento da nossa igreja está uma bagunça. Por que não fazemos daquele irmão um diácono? Afinal, ele não vive de resolver problemas financeiros das pessoas?”
A grande pergunta deve ser: será que ele é um cristão maduro? A eficiência com planilhas é uma habilidade bem-vinda, mas não é suficiente para receber um ofício na casa de Deus 1Tm 3.15.
Empresário
“Esta igreja precisa mesmo de alguns diáconos decididos e com tino comercial”.
Mais uma vez, será que são maduros? A experiência com a liderança executiva pode ser um forte trunfo, mas não é indicação de saúde espiritual.
Irmão do contra
“Qual será o sentido de sermos diáconos caso digamos apenas ‘sim, senhor’, para tudo? Afinal, quem seria melhor para dizer ao pastor e presbíteros o que fazer?”
Senso crítico apurado e construtivo sempre é bem-vindo. Um “sim”, “não” ou “aguarde” em tempo oportuno faz toda diferença. Porém, não é o fator principal para alguém exercer um ofício na igreja.
Falso presbítero
“Aqui, o pastor discursa e os diáconos agem. Se você quiser que algo importante seja feito por aqui, convença os diáconos”.
Quando os diáconos começam a agir como pastores da congregação ou como um comitê a supervisionar as equipes, a descrição bíblica da função dos diáconos se torna confusa. Embora essa possa não ser a intenção, muitas vezes é o resultado.
Quer o papel dos diáconos em sua igreja tenha sido aumentado, quer tenha sido reduzido na forma errada, a solução não é passar de um extremo ao outro, mas restaurar os diáconos ao propósito bíblico pretendido e ao papel bíblico insubstituível.
Diáconos são como uma “cavalaria de servos”, encarregados de pôr em prática a visão dos presbíteros mediante a coordenação dos vários ministérios. Os diáconos são como a força de operações especiais de uma congregação, pois realizam tarefas que passam despercebidas com força moral e alegria.
Portanto, antes de tudo, olhe para sua atitude, seu caráter, sua vida.
- Ele está pronto para ouvir, ou está ansioso para ser ouvido?
- Ele é humilde e flexível, ou quer que tudo seja feito do seu jeito?
- Ele deseja status ou quer servir?
Felizmente, não precisamos inventar as qualificações para a diaconia – a Bíblia as oferece claramente.
2.3 Requisitos positivos
O apóstolo Paulo trata mais amplamente dos requisitos para o ofício de diácono em 1 Timóteo 3.8-13. As qualificações estão enumeradas com uma breve explicação de cada uma delas.
“Os diáconos igualmente devem ser dignos, homens de palavra, não amigos de muito vinho nem de lucros desonestos. Devem apegar-se ao mistério da fé com a consciência limpa. Devem ser primeiramente experimentados; depois, se não houver nada contra eles, que atuem como diáconos. As mulheres igualmente sejam dignas, não caluniadoras, mas sóbrias e confiáveis em tudo. O diácono deve ser marido de uma só mulher e governar bem seus filhos e sua própria casa. Os que servirem bem alcançarão uma excelente posição e grande determinação na fé em Cristo Jesus.” (1Tm 3.8-13)
Dignos
O diácono deve ser um homem de dignidade, respeitável, seriedade de propósito. Não ser grosseiro, nem de más maneiras no cuidado das necessidades do povo de Deus.
Consciência limpa
O diácono deve ser um homem que esteja “mantendo a fé com clara consciência”, literalmente significa “com limpa (kathera) consciência”.
Fé
Como o “depósito” da doutrina cristã revelada por nosso Senhor e o ministério dos apóstolos. É chamado de “mistério” porque somente é conhecida por Deus quem a revelou mediante os profetas e apóstolos, e porque somente é verdadeiramente conhecida quando Deus a aplica ao coração pela soberana obra do Espírito Santo.
Experimentados
O diácono deve ser alguém que evidencia firmeza na santa fé e que o faz com consciência limpa de qualquer pecado não confessado ou de algum motivo impuro. Deve abraçar a fé, motivado por uma sincera consciência de sua pecaminosidade, e de um coração genuinamente arrependido.
Nada contra eles
Significa “o que não pode questionar-se” após uma profunda investigação não se encontra nada contra o que acusá-lo. Ser diácono na igreja de Cristo somente após passar por um período de avaliação. Em Atos 6.3 os apóstolos exigem que estes homens, que servirão a congregação, devem ser “homens de boa reputação”. Se um homem não tem boa reputação, e se há alguma reprovação contra ele, então, não cumpre os requisitos para servir como diácono.
Marido de uma só mulher
Se o potencial diácono é casado deve caracterizar-se por uma inquestionável fidelidade a sua esposa. Um homem não está qualificado para cuidar das necessidades da esposa de Cristo (a igreja), se houver a menor dúvida de sua fidelidade por sua própria esposa! Se o potencial diácono não é casado, este deve caracterizar-se por uma pureza e solteirice de coração pelos preceitos bíblicos do matrimônio e do sexo.
Governar bem seus filhos e sua própria casa
Se há filhos no lar, estes devem estar claramente sob a sua autoridade e controle. Os seus filhos devem ser disciplinados. O diácono deve treinar os seus filhos nas doutrinas da Palavra de Deus. Se um homem não pode cuidar das necessidades de seu próprio lar, como poderá cuidar das necessidades da família de Deus?
2.4 Requisitos negativos
Homens de palavra
A indicação é que em seu conhecimento íntimo das necessidades das pessoas, possa ser tentado a repetir palavras que não deveriam repetir; ou, que dê sua opinião particular acerca de um ocorrido a uma pessoa, e outra diferente opinião a outra pessoa. O diácono não deve fazer algo assim.
Não amigos de muito vinho
Não deve ser um homem que é controlado pelo vinho, ou qualquer outra influência externa. A palavra que se traduz “dado/apegado” pode ser traduzida literalmente como “entregar-se”. O diácono deve entregar-se somente ao Senhor e ao Espírito Santo. Deve-se notar que não se exige a abstinência total; ainda que, se alguém o considera sábio, pode livremente escolher abster-se.
Não amigos de lucros desonestos
Não deve estar muito preocupado pelo dinheiro, ou utilizar o seu ofício de diácono como uma maneira de enriquecer. O diácono ao cuidar dos pobres, órfãos, viúvas e outros necessitados do rebanho, estará envolvido no manejo de recursos. Portanto, deve ser livre de um ímpio desejo de enriquecimento.
3Quanto ao Ofício do Presbiterato
3.1 Presbíteros Docentes e Presbíteros Regentes
“O Ministro do Evangelho é o oficial consagrado pela igreja, representada no Presbitério, para dedicar-se especialmente à pregação da Palavra de Deus, administrar os sacramentos, edificar os crentes e participar, com os presbíteros regentes, do governo e disciplina da comunidade.” (CI/IPB, Art. 30)
Parágrafo único. Os títulos que a Sagrada Escritura dá ao ministro, de Bispo, Pastor, Ministro, Presbítero ou Ancião, Anjo da Igreja, Embaixador, Evangelista, Pregador, Doutor e Despenseiro dos Mistérios de Deus, indicam funções diversas e não graus diferentes de dignidade no ofício.
Na Igreja Presbiteriana sempre houve presbíteros docentes (pastores), presbíteros regentes e os diáconos. Há contínuo debate acerca da relação entre presbítero docente e regente. Porém, no caso dos presbíteros, trata-se apenas um ofício. A classificação de presbíteros docentes e regentes indica duas classes do mesmo grupo de presbíteros.
Os presbíteros governam na igreja somente através do ensino e aplicação da Palavra de Deus na vida da congregação. Portanto, está claro que todos os presbíteros, em virtude de seu ofício, governam e ensinam. Tanto os presbíteros docentes como os regentes devem ensinar. O presbítero deve ser apto para ensinar, ou seja, deve conhecer profundamente a sã doutrina da Palavra de Deus. Deve ser hábil em comunicar a verdade de Deus de tal maneira que as pessoas sejam confrontadas com ela. Também deve estar sobremaneira dotado e equipado para que tenha a habilidade de refutar a quem contradiz a doutrina.
Outro ponto a pensar é: quão forte deve ser a sua aptidão para ensinar por parte do presbítero? Deve ser apto para dirigir-se a grandes multidões com intenso entusiasmo e exortação? Ou, pode o presbítero “ser apto para ensinar” somente em encontros individuais?
O apóstolo Paulo não dá nenhuma indicação de quão forte deve ser a aptidão do presbítero para ensinar. Assim, pois, deve permitir-se como aceitável que a mínima aptidão para ensinar seja a de comunicar a Palavra de Deus a pessoas individualmente. Todavia, é razoável que quanto maior seja o dom de ensino, o povo de Deus estará em melhor condição. Ainda que a igreja deva orar para que Deus lhe conceda homens com excepcional aptidão, não deve ter nenhuma noção preconcebida sobre quão forte deve ser aptidão do presbítero para ensinar. Dentre os presbíteros de uma igreja, alguns possuirão diferentes proporções do dom de ensinar Rm 12.6.
Alguns serão capazes de eficazmente ensinar multidões. Outros somente terão a capacidade de modo efetivo de dirigir pequenos grupos. De todos os modos, todos os presbíteros devem ser aptos para ensinar. Cada presbítero deve ser julgado segundo a sua vida e ministério. A congregação deve determinar se um potencial presbítero é, ou não, apto para ensinar tão efetivamente conforme a explicação.
Há um assunto final que é necessário mencionar. É muito claro que todos os presbíteros governam e ensinam. Também está claro que nem todos governam e ensinam com a mesma força. Pois, aqui está a diferença da capacidade e habilidade entre o presbítero docente do regente. O “presbítero docente” é diferente do presbítero regente não porque possua um chamado, ou um ofício totalmente diferente. O presbítero docente é separado pela igreja para pregar a Palavra em razão da excepcional força de seus dons.
É sábio que a igreja separe certos homens excepcionalmente dotados para a tarefa, em tempo integral, da pregação e ensino da Palavra. A igreja será grandemente abençoada, se em seu meio há presbíteros que são financeiramente apoiados para que dediquem todo o seu tempo para ensinar e pregar a seu povo a verdade de Deus, que transforma a vida. Historicamente falando, esta tarefa se denominou de “o chamado ao ministério do Evangelho”. Na realidade, é um chamado para pregar.
É preocupante quando presbíteros docentes que foram chamados por Deus para pregar a Palavra usam todo o seu tempo para organizar programas e para atuar como um apresentador de atividades do Domingo pela manhã, em vez de alimentar o rebanho com comida sólida da Palavra de Deus. O “presbítero docente” não é apenas um mestre da Palavra de Deus, mas é também, alguém que possuí o forte dom de ser apto para pregar a Palavra de Deus com grande convicção e com um impacto benéfico sobre o povo de Deus.
O ofício de presbítero é somente um. Seja qual for o “presbítero regente”, ou, o “presbítero docente”, Deus exige que o presbítero ensine as Escrituras e que exerça cuidado pastoral sobre o rebanho. Ambos têm o mesmo ofício, a mesma autoridade e basicamente as mesmas responsabilidades. Todavia, alguns presbíteros, em razão da força dos seus dons e de sua aptidão para pregar, devem ser separados, ou chamados, de uma maneira especial para pregar a Palavra de Deus e ser remunerados por seu trabalho, para que estejam livres para desenvolver e utilizar os seus dons para maior benção da igreja de Cristo. A estes presbíteros lhes denomina “presbíteros docentes”.
3.2 Requisitos positivos
“Esta afirmação é digna de confiança: se alguém deseja ser bispo, deseja uma nobre função. É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, respeitável, hospitaleiro e apto para ensinar; não deve ser apegado ao vinho, nem violento, mas sim amável, pacífico e não apegado ao dinheiro. Ele deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda a dignidade. Pois, se alguém não sabe governar sua própria família, como poderá cuidar da igreja de Deus? Não pode ser recém-convertido, para que não se ensoberbeça e caia na mesma condenação em que caiu o diabo. Também deve ter boa reputação perante os de fora, para que não caia em descrédito nem na cilada do diabo.” (1Tm 3.1-7)
Irrepreensíveis
Não deverá ter nada de indigno que se reprove num presbítero em potencial. A palavra grega literalmente significa “ao que não se pode exigir contas”. Não há nada pelo qual alguém possa ser acusado para desqualificá-lo, inclusive após uma investigação pública. Coisas que ocorreram no passado devem ser tratadas e resolvidas de maneira bíblica. A vida do presbítero deve ser um bom exemplo de moral e pureza para o grupo.
Marido de uma só mulher
Se o presbítero potencial é casado, deve caracterizar-se por uma inquestionável fidelidade a sua esposa. Se houver uma menor dúvida acerca da fidelidade a sua esposa num potencial presbítero, então não é apto para cuidar da esposa de Cristo (a igreja). Se o potencial presbítero é solteiro, deve caracterizar-se, em seu trato com as mulheres, por uma fidelidade de seu coração e pelo conceito bíblico de matrimônio.
Filhos sujeitos a ele
Se há crianças no lar do potencial presbítero, elas devem estar claramente sob o seu controle e autoridade, sendo filhos crentes treinados por seus pais nas doutrinas da Palavra de Deus. Os seus filhos não devem ser acusados de dissolução ou rebeldia. Se um homem não pode pastorear o seu próprio rebanho (sua família), como poderá pastorear o rebanho de Deus?
Sóbrio, prudente e respeitável
Ter domínio próprio, mente equilibrada e comportamento digno de respeito. Ter autocontrole e, antes de tudo, submissão à Palavra de Deus.
Hospitaleiro
Traduzindo literalmente do texto grego, hospitaleiro significa “amante de forasteiros”. O seu lar deve ser um refúgio da graça e misericórdia de Deus para as pessoas que se encontram no desespero causado pela escravidão do pecado.
Apto para ensinar
Deve conhecer a sã doutrina de Deus de uma maneira profunda, com a habilidade de ensiná-la e a capacidade de defendê-la dos ataques daqueles que são inimigos da fé, refutando quem contradiz a sã doutrina.
3.3 Requisitos negativos
Não deve ser apegado ao vinho
Deve ter uma compreensão séria e realista da vida. Não deve ser um “idealista” sem conhecimento prático, mas também não deve ser “um pessimista”. Não deve temer adentrar o desconhecido, nem intentar coisas novas, estando na capacidade de formular juízos sábios e tomar decisões duras quando necessário.
Nem violento, mas amável, pacífico e não apegado ao dinheiro
Que rejeita a agressividade física ou verbal e a ganância por dinheiro (ganho desonesto).
Não pode ser recém-convertido
Não pode ser um recém-convertido (neófito). O orgulho de assumir um cargo cedo demais pode levá-lo à soberba e à queda espiritual.
Boa reputação perante os de fora
A boa reputação com os não cristãos protege a igreja contra escândalos. Evita que o líder perca a moral para pregar e caia em armadilhas de desonra.
4A Divisão do Trabalho: Atos 6.1-15
Em vez de se arriscarem a distrair-se do ministério da Palavra e da oração, os apóstolos delegaram a um grupo separado a coordenação e resolução do problema. Isso não significa uma separação em duas equipes espirituais, isto é, em time titular e um reserva.
Prova-se a importância e grandeza no ofício do diaconato:
- No caráter requerido dos indivíduos a fim de ocupá-lo (“cheios do Espírito Santo e de sabedoria”, v.3);
- No fato de esse procedimento facilitar o ministério da Palavra e a oração;
- No efeito de unir e fortalecer a igreja toda.
A divisão estratégica do trabalho era um sinal de força na primeira igreja, e ela sinaliza força nas igrejas atuais. Quanto a isso, os pastores (ou diáconos) que tentam realizar todas as tarefas acabam atrapalhando a todos.
4.1 Diáconos são amortecedores de choque
Os sete não foram usados apenas na solução de uma dificuldade que envolvia a alimentação. Sem dúvida, o alimento gerou a ocasião, mas ele não era o problema mais profundo. O problema mais profundo era a ameaça repentina à unidade da igreja.
As diferenças não se limitavam ao idioma; aquelas viúvas também compreendiam diferenças étnicas e culturais. Os Helenistas eram Judeus da Diáspora (que viviam fora de Israel), que falavam grego e eram fortemente influenciados pela cultura grega. Eles haviam retornado a Jerusalém e se convertido ao cristianismo. Já os Hebreus eram Judeus locais que falavam aramaico/hebraico e seguiam estritamente os costumes palestinos tradicionais. Até os historiadores seculares da época escreveram sobre a animosidade existente entre esses grupos, apesar da religião judaica em comum.
Por isso o texto de Atos 6 é muito mais que uma trivialidade culinária. Os apóstolos se depararam com uma rachadura que ameaçava dividir a unidade que Cristo morreu para conquistar. Afinal, o Evangelho insiste em que nossa unidade em Cristo supere qualquer diferença mundana.
Nessa perspectiva, os diáconos devem ser os que amortecem “ondas de choque”, não os que as reverberam. Pessoas briguentas se tornam diáconos medianos, pois eles apenas agravam o tipo de dor de cabeça que os diáconos pretendem aliviar. O diácono eficaz, por assim dizer, é muito mais que gerente de negócios ou trabalhador manual. Eles amam soluções, não dramas, e se levantam para reagir, de modo criativo e construtivo, a fim de promover a harmonia do todo.
Os presbíteros precisam de diáconos que sirvam de forma prática, e os diáconos precisam de presbíteros que os guiem em sentido espiritual.
4.2 O que os diáconos devem fazer
4.2.1 Descobrir necessidades tangíveis e supri-las
Uma igreja em que os diáconos não atuam de acordo com a Bíblia será constantemente desviada de sua missão principal, que é fazer discípulos Mt 28.18-20. Essa era a intenção aparente por trás da decisão dos apóstolos de estabelecer os sete em Atos 6.
A distribuição injusta de alimentos provocou uma reclamação séria e expôs uma falha inquietante na igreja. No entanto, os apóstolos tinham a convicção de que enfrentar todos os problemas de curto prazo de uma vez só abriria o caminho para um desastre de longo prazo: a negligência do ministério de ensino e oração acabaria por destruir o próprio cerne da igreja.
Na verdade, o trabalho diaconal nunca deve envolver menos que o ministério de misericórdia. O princípio mais amplo da função do diácono, no entanto, inclui qualquer coisa na vida da igreja que ameace distrair e desviar os presbíteros de suas responsabilidades primárias.
Os melhores diáconos não reagem apenas aos problemas presentes; eles também antecipam os problemas futuros. Sem diáconos efetivos, os presbíteros sofrerão incessantes distrações. Por isso o caráter, ainda que seja o principal, não é tudo: um membro piedoso que sempre se cansa com facilidade, ou nunca responde às chamadas, ou precisa de que lhe digam muitas vezes o que fazer, não é uma boa opção para o ofício.
4.2.2 Proteger e promover a unidade da igreja
Uma forma de discernir se um candidato a diácono está “pronto” para o papel é simplesmente considerar se seu reflexo é facilmente visto em versículos como os seguintes:
“Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus.” (Mt 5.9)
Diácono, você apenas afirma a beleza da paz ou você a planeja?
“A sabedoria do homem lhe dá paciência; sua glória é ignorar as ofensas.” (Pv 19.11)
Diácono, você é capaz de deixar as coisas seguirem seu curso? O autocontrole é a marca de suas respostas às inevitáveis divergências, ou você trata cada questão como se fosse uma emergência eclesiástica?
“Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo suplico a todos vocês que concordem uns com os outros no que falam, para que não haja divisões entre vocês, e, sim, que todos estejam unidos num só pensamento e num só parecer.” (1Co 1.10)
Evitar divisões é algo bom; antecipar-se e frustrar tal tendência em outras pessoas é ainda melhor.
Todo cristão, mas em especial os diáconos, devem estar entre os primeiros a dar forma a esse tipo de reação “vamos entrar em acordo”. A questão não é suprimir quem Deus o fez ser, jamais expressar sua opinião ou evitar todo desacordo – isso é uniformidade, e consiste na essência das seitas. A marca das igrejas saudáveis é a unidade, algo mais bagunçado e mais belo que a mera homogeneidade. Diáconos devem estar na linha de frente para a unidade.
4.2.3 Trabalho conjunto
Como incentivamos os diáconos a serem unidades construtoras e empreendedoras sem usurpar a liderança eclesiástica dos presbíteros e, assim, causar desunião? Uma boa investida é na comunicação. Uma boa opção é designar cada diácono a um presbítero que comunica regularmente as decisões dos presbíteros em suas reuniões.
É fundamental enfatizar também que os diáconos mais eficientes não fazem tudo sozinhos. Eles são mobilizadores. Portanto, ao esquadrinhar diáconos qualificados na igreja, não procure apenas pessoas que trabalham muito. Procure quem vai organizar o serviço com fidelidade, e não quem fará tudo sozinho.
4.2.4 O que os diáconos fornecem
Como você notará, o serviço diaconal fiel não costuma ser algo épico ou extraordinário. Mas não se engane: o poder do Deus Todo-Poderoso percorre o ministério dos diáconos. Ainda que seu trabalho seja silencioso, até mesmo sutil, eles são instrumentos indispensáveis para o avanço do reino de Jesus Cristo.
“Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Pelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo; e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos. Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” (Mc 10.42-45)
O mundo sempre mediu a grandeza pelo padrão de serviço que alguém recebe, não pelo que oferece. Mas Jesus reverte radicalmente nossa lógica decaída. Em antecipação à sua última refeição com os discípulos Lc 22.7-30, Jesus lavou os pés de cada um deles – o próprio Mestre assumindo a postura de um escravo.
Tim Keller extrai duas implicações desse relato: primeiro, Jesus serviu apesar de sua morte ser iminente – quando estamos sofrendo, ainda notamos as pessoas cujos pés precisam ser lavados? Segundo, Jesus serviu aos discípulos apesar de eles não merecerem: ele sabia que o traidor estava presente, e mesmo assim lavou aqueles pés.
4.2.5 O ministério diaconal contínuo de Cristo
O ministério terreno de Jesus era poderoso em palavras e atos (Lc 24.19), e ele continua essa dupla abordagem hoje em grande parte por meio dos ofícios de presbítero e diácono. Ao cuidar dos feridos, os diáconos funcionam como as mãos e os pés de Cristo para o mundo carente de seu toque.
Diácono, seu ofício tem data de validade, mas sua condição de servo do Rei jamais findará. Seu papel atual de diácono é apenas um estágio para o futuro eterno em que você o verá face a face, com todos os seus servos, para todo o sempre.
5Procedimento Bíblico
O processo utilizado para conseguir homens que sirvam como presbíteros e diáconos na igreja local é essencial para promover uma eleição de homens piedosos que cuidem da igreja de Cristo, tal como Cristo requer. Esta é a razão pela qual a congregação não deve empreender este processo de qualquer modo, ou de maneira negligente.
“Não se precipite em impor as mãos sobre ninguém e não participe dos pecados dos outros. Conserve-se puro.” (1Tm 5.22)
Quando a congregação seleciona oficiais de modo apressado, aumenta a probabilidade de que os eleitos não sejam chamados por Deus para servirem no ofício para o qual foram escolhidos. A pergunta que deve estar diante da congregação é: quais homens da nossa congregação, se é que há, Deus equipou e chamou para servir como oficiais?
“Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de Deus, que ele comprou com o seu próprio sangue.” (At 20.28)
5.1 Princípios para a seleção de oficiais
5.1.1 Deus concedeu um governo para a igreja
A congregação deve estar consciente do fato de que Deus não deixou a sua igreja sem a liderança adequada, que ela necessita para cumprir com a missão que Ele confiou a ela.
“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo.” (Ef 4.11-12)
Portanto, a igreja pode descansar confiante de que o Senhor proverá, dentre os homens da congregação, a liderança necessária.
5.1.2 Os homens da igreja devem desejar servir a Cristo e a sua igreja
Cada homem deve considerar em oração se seu Senhor o equipou para servir como um oficial, ou se seu Senhor o está chamando para esta tarefa. Um sentido de chamado é de muitíssima importância quando se está tratando de determinar se deve ou não buscar um ofício na igreja.
“Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja.” (1Tm 3.1)
Não há nada inerentemente mau que alguém “deseje” um ofício na igreja – não é um sinal de arrogância, e sim um sinal de que tal irmão está humildemente buscando a vontade de Deus. E, ainda que um homem se convença de que o Senhor o chamou, este deve submeter-se a uma avaliação dos líderes da igreja e dos membros da congregação. Ninguém que não tenha a confirmação da igreja deve entrar no ofício da igreja.
5.1.3 Questionário para candidatos ao oficialato
Sugere-se o preenchimento pelo pré-candidato ao oficialato do questionário abaixo e posterior recepção e análise pelo Conselho da igreja.
Querido irmão, você está sendo convidado para participar da Assembleia Geral Extraordinária da igreja, no dia 04 de outubro de 2026, às 9h, como pré-candidato a uma vaga de oficial da Igreja Presbiteriana Cidade Nova. Para tanto, em cumprimento à Resolução do Conselho, lhe apresentamos o questionário abaixo, que antes de responder, deve diante de Deus, orar e fazer com temor e tremor. Suas respostas ficam salvas neste navegador enquanto você preenche – use “Exportar / Imprimir” ao final para gerar uma cópia e entregá-la ao Conselho.
5.2 A instrução da congregação
A congregação deve receber instrução acerca dos requisitos e caráter dos homens a quem Cristo quer que sejam os pastores e diáconos de sua igreja. É essencial que os membros sejam treinados para reconhecer aqueles que foram chamados e dotados por Deus.
Se não puderem reconhecê-los, é porque não sabem o que devem buscar, e inevitavelmente empregarão critérios não bíblicos para escolher os oficiais – como a posição social na comunidade, por exemplo, se empresário. Enquanto muitos membros chegam a se convencer de que um indivíduo tem os dons e os utilizará no ministério, eles devem comunicar suas convicções a esta pessoa e à liderança em exercício da igreja. Isto equivale a propor este irmão como candidato para o ofício.
5.3 O Conselho pode propor a eleição e ordenação de seus oficiais
Quando a igreja claramente reconhece que há vários homens chamados e com dons dados por Deus para servir como oficiais, o Conselho pode propor a sua eleição e ordenação. O procedimento específico, geralmente, é uma variação de cinco aspectos: indicação de candidatos, treinamento, exame, eleição e a ordenação.
5.3.1 A indicação de candidatos
Quando um membro da congregação está convencido de que um irmão está exercendo os seus dons na igreja para o seu bem, seja como um servo nas obras de misericórdia (Diácono), ou como mestre e supervisor das necessidades espirituais (Presbítero), deve comunicar a sua convicção – o que equivale a propor-lhe que aceite ser um candidato para o ofício em questão.
5.3.2 O treinamento dos candidatos
Após serem recebidos os nomes dos candidatos, inicia-se um período de treinamento pelos líderes da igreja (o Conselho e a Junta Diaconal), a fim de familiarizá-los com os assuntos doutrinários específicos, do sistema constitucional e do governo da igreja.
Primeiro: não há uma quantidade de treinamento que faça de um homem um diácono, ou um presbítero. Somente Deus equipa os homens para servir nestes ofícios.
Segundo: ninguém deve eleger um oficial para a igreja e só depois capacitá-lo para o ofício – isto seria o contrário do que determinam as Escrituras. Um irmão deve ser indicado ao ofício porque já é percebido por vários membros da congregação como alguém que desempenha tal capacidade.
5.3.3 O exame dos candidatos
O candidato deve ser “apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem” Tt 1.9. O propósito do exame é garantir que os candidatos cumpram com os requisitos estabelecidos nas Escrituras. Os candidatos que os reúnem devem então ser apresentados como aptos para serem eleitos pela congregação.
5.3.4 A eleição
A eleição de oficiais da igreja é a oportunidade para que cada membro da congregação expresse a sua convicção quanto à vontade de Deus para cada candidato. É necessário um controle deste procedimento, pois nenhum membro da igreja deve ditar à igreja quem deve ser seus oficiais – ao contrário, cada membro dá o seu voto de consciência, e logo tem que estar disposto a submeter-se aos seus demais irmãos com respeito ao resultado da eleição.
5.3.5 A ordenação
Concluída a eleição, os líderes da igreja devem determinar a data de ordenação dos eleitos em seus respectivos ofícios, geralmente durante um culto de adoração. Ninguém assume um ofício na igreja mediante o autonomeamento – os que foram indicados, treinados, examinados e eleitos devem ser separados dentre os membros da congregação mediante a imposição de mãos e oração na presença do povo de Deus.
Este processo poderia parecer longo e tedioso para alguns, mas se uma congregação o faz fielmente, e com atitude de oração, resultará ser uma fonte de bênção. Assim, a congregação descobre os homens de Deus dentre os seus membros, e neles encontrará uma grande e abundante provisão de uma liderança piedosa para os muitos anos vindouros.
6Constituição Interna/IPB
Segue alguns artigos da CI/IPB que abordam situações com diáconos e presbíteros. Para um conhecimento mais profundo, recomenda-se a leitura completa da CI/IPB.
Art. 9 A assembleia geral da igreja constará de todos os membros em plena comunhão e se reunirá ordinariamente, ao menos uma vez por ano, e, extraordinariamente, convocada pelo Conselho, sempre que for necessário, regendo-se pelos respectivos estatutos.
§ 1º Compete à assembleia: a) eleger pastores e oficiais da igreja;
Art. 10 A presidência da assembleia da igreja cabe ao pastor e, na sua ausência ou impedimento, ao Pastor Auxiliar, se houver.
Parágrafo único. Na ausência ou impedimento dos pastores caberá ao Vice-Presidente do Conselho assumir a presidência da assembleia.
Art. 25 A igreja exerce as suas funções na esfera da doutrina, governo e beneficência, mediante oficiais que se classificam em:
- a) ministros do Evangelho ou presbíteros docentes;
- b) presbíteros regentes;
- c) diáconos.
§ 1º Estes ofícios são perpétuos, mas o seu exercício é temporário.
§ 2º Para o oficialato só poderão ser votados homens maiores de dezoito anos e civilmente capazes.
Art. 26 Os ministros e os presbíteros são oficiais de concílios da Igreja Presbiteriana do Brasil; os diáconos, da igreja a que pertencem.
Art. 27 O ministro é membro ex ofício do Presbitério, e do Conselho, quando pastor da igreja; do Sínodo e do Supremo Concílio, quando eleito representante; o presbítero é membro ex ofício do Conselho e dos concílios superiores, quando eleito para tal fim.
Art. 28 A admissão a qualquer ofício depende:
- a) da vocação do Espírito Santo, reconhecida pela aprovação do povo de Deus;
- b) da ordenação e investidura solenes, conforme a liturgia.
Art. 29 Nenhum oficial pode exercer simultaneamente dois ofícios, nem pode ser constrangido a aceitar cargo ou ofício contra a sua vontade.
Art. 50 O Presbítero Regente é o representante imediato do povo, por este eleito e ordenado pelo Conselho, para, juntamente com o pastor, exercer o governo e a disciplina e zelar pelos interesses da igreja a que pertencer, bem como pelos de toda a comunidade, quando para isso eleito ou designado.
Art. 51 Compete ao presbítero:
- a) levar ao conhecimento do Conselho as faltas que não puder corrigir por meio de admoestações particulares;
- b) auxiliar o pastor no trabalho de visitas;
- c) instruir os neófitos, consolar os aflitos e cuidar da infância e da juventude;
- d) orar com os crentes e por eles;
- e) informar o pastor dos casos de doenças e aflições;
- f) distribuir os elementos da Santa Ceia;
- g) tomar parte na ordenação de ministros e oficiais;
- h) representar o Conselho no Presbitério, este no Sínodo e no Supremo Concílio.
Art. 52 O presbítero tem, nos concílios da igreja, autoridade igual a dos ministros.
Art. 53 O diácono é o oficial eleito pela igreja e ordenado pelo Conselho, para, sob a supervisão deste, dedicar-se especialmente:
- a) à arrecadação de ofertas para fins piedosos;
- b) ao cuidado dos pobres, doentes e inválidos;
- c) à manutenção da ordem e reverência nos lugares reservados ao serviço divino;
- d) exercer a fiscalização para que haja boa ordem na Casa de Deus e suas dependências.
Art. 54 O exercício do presbiterato e do diaconato limitar-se-á ao período de cinco anos, que poderá ser renovado.
§ 1º Três meses antes de terminar o mandato, o Conselho fará proceder a nova eleição.
§ 2º Findo o mandato do presbítero e não sendo reeleito, ou tendo sido exonerado a pedido, ou ainda por haver mudado de residência que não lhe permita exercer o cargo, ficará em disponibilidade, podendo, entretanto, quando convidado: a) distribuir os elementos da Santa Ceia; b) tomar parte na ordenação de novos oficiais.
Art. 55 O presbítero e o diácono devem ser assíduos e pontuais no cumprimento de seus deveres, irrepreensíveis na moral, sãos na fé, prudentes no agir, discretos no falar e exemplos de santidade na vida.
Art. 56 As funções de presbítero ou de diácono cessam quando:
- a) terminar o mandato, não sendo reeleito;
- b) mudar-se para lugar que o impossibilite de exercer o cargo;
- c) for deposto;
- d) ausentar-se, sem justo motivo, durante seis meses, das reuniões do Conselho, se for presbítero, e da Junta Diaconal, se for diácono;
- e) for exonerado administrativamente ou a pedido, ouvida a igreja.
Art. 57 Aos presbíteros e aos diáconos que tenham servido satisfatoriamente a uma igreja por mais de vinte e cinco anos, poderá esta, pelo voto da assembleia, oferecer o título de Presbítero ou Diácono Emérito, respectivamente, sem prejuízo do exercício do seu cargo, se para ele forem reeleitos.
Parágrafo único. Os presbíteros eméritos, no caso de não serem reeleitos, poderão assistir às reuniões do Conselho, sem direito a voto.
Art. 58 A Junta Diaconal dirigir-se-á por um regimento aprovado pelo Conselho.
Art. 68 Só poderão tomar assento no plenário dos concílios os que apresentarem à Mesa as devidas credenciais juntamente com o livro de atas, relatório e estatística das respectivas igrejas, no caso de Presbitério; as credenciais, os livros de atas e o relatório do concílio que representarem, quando se tratar de Sínodo ou do Supremo Concílio.
7Referências Bibliográficas
BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada Nova Versão Internacional – NVI. São Paulo: Editora Vida, 2026.
IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL. Manual Presbiteriano: Constituição, Código de Disciplina, Princípios de Liturgia e Regimento Interno do Supremo Concílio. Edição com notas remissivas. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2024.
NASCIMENTO, Adão C. Manual do Presbítero. Santa Bárbara d’Oeste: Z3 Editora, 2025.
SMETHURST, Matt. 9 Marcas construindo igrejas saudáveis: Diáconos. São Paulo: Vida Nova, 2022.
TOKASHIKI, Rev. Ewerton B. Como selecionar os Presbíteros e Diáconos. Porto Velho: Primeira Igreja Presbiteriana de Porto Velho, 2014.